...o meu "sketchbook"... o meu bloco de notas... o meu eu...

08
Jan 09

(para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais)

 

 

Pois é o seguinte. Immanuel Kant foi um grande filósofo proveniente da Alemanha. Segundo a sua teoria sobre a moralidade das acções, uma das mais aceites e respeitadas na comunidade filosófica, existem três tipos destas. E passo a exemplificar:

 

O Zé ia passeando e viu que uma velhinha deixou cair a sua carteira que, por acaso, aparentava estar bem recheada monetariamente. Então ele pensou nas seguintes hipóteses: 

a)      Ficar com a carteira;

b)      Devolver a carteira, visto que provavelmente seria recompensado;

c)      Devolver a carteira, simplesmente porque é boa educação.

 

A acção a) é claramente imoral. O Zé ficou com a carteira porque era seu interesse, porque quis ficar com todo o dinheiro. Quanto à acção b), o senso comum diria que foi hipócrita ou interesseiro, dado que o Zé devolveu a carteira por interesse, para ficar bem visto e para tentar receber uma recompensa. De facto, o princípio da decisão na hipótese b) foi o mesmo que na a), o interesse. E pôr o interesse acima de tudo, como base de acções, é imoral. Assim, só a acção c) é moralmente correcta, já que o Zé ultrapassou os seus interesses e agiu de forma correcta, só porque era moralmente certo.

Portanto, a) é uma acção contra o dever (imoral), a b) é uma acção em conformidade com o dever (imoral) e a c) é uma acção por dever (moral).

 

Bem, então isto é o que Kant diz. Assim, podemos dar valor a pessoas como Madre Teresa de Calcutá, o Papa, missionários ou voluntários; Por sua vez, podemos reprovar acções de ladrões, pessoas desonestas e interesseiras.

Pois bem, eu resolvi dar a minha opinião acerca deste assunto. Então, se virmos bem, porque é que uma pessoa faz acções boas, ou acções por dever? Não será para se sentir bem consigo própria, ou até mesmo para esperar algum tipo de recompensa, como por exemplo divina?

Sendo assim, qualquer acção é por interesse. Penso que, segundo este ponto de vista, as boas-acções Madre Teresa de Calcutá para com pobres ou carenciados terão sido baseadas na ideia de que um dia poderá ser recompensada pelo bem que faz aos outros, ou fê-las para se sentir bem consigo própria, não tanto pelo gesto em si. Assim, também o nosso Zé poderá ter devolvido a carteira para se sentir bem ou pensando que com essa boa acção poderia ganhar algo mais tarde

 

Não tenciono de forma alguma denegrir a imagem da senhora (tenha-a Deus em boa conta), estou apenas a criticar a teoria de Kant. Por isso existem outras teorias com outros pontos de vista…E o post já vai longo, por isso vou me calar…Opinem…

 

By... PalavraPuxaPalavra às 21:07
I am...: Com o dever de falar

6 comentários...:
Posso ser suspeita por apreciar Kant, mas mesmo assim vou opinar, como tu pedes.

Tu pegaste, e bem, no exemplo das pessoas que praticam o bem pela religião. Essas, segundo a tua perspectiva, estão a ser imorais porquanto querem agradar a Deus. Mas na realidade há pessoas, as que fazem voluntariado, por exemplo, que fazem boas acções em troca de nada ou de um simples "obrigado". Ou de satisfação pessoal. Mas não é a satisfação pessoal ao nivel de valores que vai tornar a acção imoral, porque a satisfação provém do bem que é feito ao outro, havendo um beneficio do outro em primeiro lugar. A acção torna-se moral. É como fazeres algo por alguém que gostas. A não ser que sejas extremamente interesseiro, estarás a realizar uma acção moral.

Portanto, na minha opinião, a avaliação das acções segundo Kant, a ética Kantiana, são muitíssimo válidas. Com falhas, claro, mas de todas as éticas que estudei (e calculo que estejas a estudar isso agora, talvez) foi aquela que me pareceu mais correcta.

Filosofia é bonita, hein?
Bolacha a 8 de Janeiro de 2009 às 21:59

Pois, acho que defendes bem a tua posição...mas ainda assim, não quero ser afincado ao ponto de dizer que tudo o que fazemos é por interesse...afirmo apenas que no fundo, fazemo-lo para nos sentirmos bem connosco proprios ou para evitar remorsos...no fundo, resume-se a nós, acho...gostei do ponto de vista de que quando é por dever, o outro recebe primeiro o benefício, mas ainda assim, isto aplica-se também às acções em conformidade ao dever, que são imorais, pois a dita velhinha recebe primeiro a carteira, só depois o Zé receberá a recompensa...obrigado pela saudavel discussão, e tens razao... é fantastica sim...xD
PalavraPuxaPalavra a 8 de Janeiro de 2009 às 22:41

Bem pensado :)

Por vezes, cansa-me a filosofia. O que os professores afirmam ser morais e correctos, no instante a seguir, fazem exactamente o oposto... Enfim =P

beijinhos*
shemerina a 10 de Janeiro de 2009 às 23:25

eu acho q a melhor acçao é n ligar nenhuma, deixar a carteira ficar onde está!
a isso se chama pureza de espirito, neutralidade!
mas essa n consta, pois n?.. é pena!
Isa_ a 24 de Janeiro de 2009 às 04:13

pois, segundo este senhor, essa hipótese não existe...mas já que a puxaste para a mesa, penso que dá muito que pensar...obrigado ;)

talvez haja motivações abnegadas, outras misturadas, e outras egoístas.

talvez avaliando o resultado das acções se possa identificar aquilo a que dar valor numa pessoa em vez de especular sobre o seu lado eventualmente obscuro.
Ana a 24 de Janeiro de 2009 às 13:38

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