...o meu "sketchbook"... o meu bloco de notas... o meu eu...

10
Fev 09

      (para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais)

 

      Tenho andado com aquelas crises existenciais caracteristicas dos seres racionais (como a maioria dos humanos)...Aqui vai uma lista das 10 coisas que mais me tiram o sono à noite:

  1. Qual é o sentido da Vida?
  2. Estarmos cá é mero acaso ou faz parte de um propósito maior?
  3. Temos alguma finalidade ou estamos apenas de passagem?
  4. Tudo o que fazemos está determinado?
  5. Temos realmente Liberdade?
  6. O que é o Amor?Reacções quimicas, atracção natural ou algo mais?
  7. Existe um Deus?
  8. Em que consiste a Consciência?
  9. Vamos para algum lado depois de morrermos, ou é a Morte o "grand finnali"?
  10. Que caminho a seguir para atingir a melhor Felicidade?

      Muito provavelmente já se terão questionado sobre isto...

(se acharam a resposta a algumas destas problemáticas avisem; são mais 10min de sono que ganho). Enfim, mas não venho propriamente inundar-vos a cabeça de charadas que, aparentemente, não têm solução. Venho até lançar umas ideias para o ar...

 

      Há algum tempo li um livro conhecido pela maioria das pessoas, "A Fórmula de Deus", de José Rodrigues dos Santos. O livro tem várias falhas e a história é um bocado puxada, mas em termos de ideias que nos põem a pensar gostei bastante. Não sei se sairam da cabeça do escritor ou se foram lá incluidas vindas de outras paragens, mas se foi ele, os meus parabéns. 

      Resumindo, o autor afirma que tudo está determinado, mas que quase tudo é indeterminavel. Eu gosto deste ponto de vista, e passo a explicar porquê: 

Imaginemos, que eu fui à dispensa e resolvi tirar bolachas. 

      Através deste ponto de vista, a minha escolha estava determinada a acontecer, ou seja, quando lá fui, não poderia ter escolhido outra coisa senão as bolachas. E porquê? Porque houve um conjunto de factores que me levou a faze-lo. Por exemplo, eu nesse dia, na rua, vi alguém a comer bolachas e fiquei com vontade; a seguir, na TV, vi uma publicidade de bolachas; nesse dia ainda não tinha comido nada doce; etc... Sendo assim, a minha escolha foi determinada por acontecimentos anteriores a ela. Segundo esta cadeia de acontecimentos, esta foi a única alternativa possível.

 

      Agora a segunda parte.

      Porque é que é indeterminável?

      Pois, apesar de eu estar determinado a escolher bolachas, era-me ímpossivel prevê-lo, pois eu não sei nem consigo conhecer todas as circunstâncias que interferiram na minha decisão. Não consigo ter em conta todos os factores, físicos e psicológicos, conscientes e subconscientes que me levaram a escolher bolachas.

      Todas as escolhas e actitudes que tomamos na vida advêm de causas anteriores, em que entram no balanço factores exteriores a nós (natureza, as pessoas, o mundo a nossa volta, etc.) e interiores (maneira de pensar, de avaliar situações, etc.). A meu ver, é-nos ímpossivel recolher todos esses dados de forma a conseguirmos prever uma acção. É claro que por vezes podemos tentar advinhar algumas actitudes, pela maneira de ser de uma pessoa ou pelas circunstâncias em que se encontra, mas a maioria das opções são indetermináveis. E todas elas são determinadas.

 

      E assim?...será que as nossas escolhas são, na verdade, escolhas, no verdadeiro sentido da palavra? Opções que escolhemos de livre vontade sem ser influenciados?

      Pois, sendo assim, sempre que fizerem uma escolha ou executarem um acto, será porque estava determinado e não teriam outra opção se não isso... Mesmo que pensem "hum, vamos cá enganar o destino e apetecia-me muito bolachas mas vou comer cereais"...isto acontece por razões e causas anteriores, dificeis de determinar...

      Agora tentem lá encaixar essa ideia no vosso dia...estranho, não?

      Perceberam?

      Bem, por hoje é tudo, não levam TPC... 

      Aconselho ainda a leitura de um livro muito interessante para quem acha pertinentes estas questões, "O Fio da Navalha", de W. Somerset Maugham. Sinto-me tal e qual como Larry...se lerem, percebem. 

      E ficam com uma frase de uma música da minha big Alicia Keys, da música "Streets Of New York (City Life)": 

The constant state of going nowhere. 

      Keep on thinking!


05
Fev 09
Esta noite,
Apeteceu-me ficar a ver a chuva.
 
Vi o céu a ser arranhado
por pequenas pratas intermitentes,
enquanto que carros passavam,
criando uma aura translúcida à sua volta.
 
Sem me aperceber, senti-me afogado,
mas pela paz, pela despreocupação.
 
Sempre que uma luz cruzava,
pensava no quão inútil ela era,
tentando em vão corromper a escuridão,
sózinha e esquecida, à espera de ajuda,
implorando sustento.
 
A chuva lava a cidade,
A chuva lava o ar,
A chuva lava a alma.
 
A chuva lavou-me e levou-me.
 
A chuva sugou-me.
 
A chuva?
 
A chuva sou eu.
By... PalavraPuxaPalavra às 22:14
I am...: Ye, I'm a guy of opposites...
para ler ouvindo: Landing in London, 3 Doors Down

09
Jan 09

Once upon a time

when your heart was mine,
in sunny warm days
with the sadness faraway;
I loved you
and you loved me,
that was how
It was supposed to be.
 
But something got in our way
I don’t know what, truth I say!
So I started again with my tears
and with it came my childish fears.
I hope someday you look back to me
and see me drowning in my teary eyed.
I’ve already beg you to come back here
please don’t say I didn’t tried.
By... PalavraPuxaPalavra às 19:49
I am...: Chuvoso e friorento

08
Jan 09

(para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais)

 

 

Pois é o seguinte. Immanuel Kant foi um grande filósofo proveniente da Alemanha. Segundo a sua teoria sobre a moralidade das acções, uma das mais aceites e respeitadas na comunidade filosófica, existem três tipos destas. E passo a exemplificar:

 

O Zé ia passeando e viu que uma velhinha deixou cair a sua carteira que, por acaso, aparentava estar bem recheada monetariamente. Então ele pensou nas seguintes hipóteses: 

a)      Ficar com a carteira;

b)      Devolver a carteira, visto que provavelmente seria recompensado;

c)      Devolver a carteira, simplesmente porque é boa educação.

 

A acção a) é claramente imoral. O Zé ficou com a carteira porque era seu interesse, porque quis ficar com todo o dinheiro. Quanto à acção b), o senso comum diria que foi hipócrita ou interesseiro, dado que o Zé devolveu a carteira por interesse, para ficar bem visto e para tentar receber uma recompensa. De facto, o princípio da decisão na hipótese b) foi o mesmo que na a), o interesse. E pôr o interesse acima de tudo, como base de acções, é imoral. Assim, só a acção c) é moralmente correcta, já que o Zé ultrapassou os seus interesses e agiu de forma correcta, só porque era moralmente certo.

Portanto, a) é uma acção contra o dever (imoral), a b) é uma acção em conformidade com o dever (imoral) e a c) é uma acção por dever (moral).

 

Bem, então isto é o que Kant diz. Assim, podemos dar valor a pessoas como Madre Teresa de Calcutá, o Papa, missionários ou voluntários; Por sua vez, podemos reprovar acções de ladrões, pessoas desonestas e interesseiras.

Pois bem, eu resolvi dar a minha opinião acerca deste assunto. Então, se virmos bem, porque é que uma pessoa faz acções boas, ou acções por dever? Não será para se sentir bem consigo própria, ou até mesmo para esperar algum tipo de recompensa, como por exemplo divina?

Sendo assim, qualquer acção é por interesse. Penso que, segundo este ponto de vista, as boas-acções Madre Teresa de Calcutá para com pobres ou carenciados terão sido baseadas na ideia de que um dia poderá ser recompensada pelo bem que faz aos outros, ou fê-las para se sentir bem consigo própria, não tanto pelo gesto em si. Assim, também o nosso Zé poderá ter devolvido a carteira para se sentir bem ou pensando que com essa boa acção poderia ganhar algo mais tarde

 

Não tenciono de forma alguma denegrir a imagem da senhora (tenha-a Deus em boa conta), estou apenas a criticar a teoria de Kant. Por isso existem outras teorias com outros pontos de vista…E o post já vai longo, por isso vou me calar…Opinem…

 

By... PalavraPuxaPalavra às 21:07
I am...: Com o dever de falar

04
Jan 09

Esquecer,

Como corrente que lava a mente,

estando esta ou não ciente

do que está a acontecer.

 

Esquecer,

como brasa que atrasa

o lembrar de lar ou casa

que um dia foi viver

 

Esquecer,

como rajada tão arrojada

que faz da vida tão amada

experiencia ainda por ter.

 

Esquecer,

como terra que enterra,

dos amores até à guerra,

todos os feitos, sem se saber.

 

Esquecer amores,

esquecer paixões;

Esquecer os donos dos nossos corações.

Esquecer-se da vida,

até mesmo da morte.

Esquecer é um azar, ou talvez uma sorte.

 

E esquecem-se por tantas razões,

tantas memórias ou ilusoes...

Esquece-se por vontade,

esquece-se por saudade.

Esquece-se sem anotar

esquece-se por não anotar.

 

No fim de tudo

à que entender

que no fundo, no fundo,

esquecer,

é não querer esquecer.

 

(Depois de o poema ler

concluo, com prazer,

que só não me o esqueci de escrever)

 

 


 (para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais) 

 

O Infinito. 

 

Sim, aquilo em que toda a vida pensamos, sem saber bem o que é; aquilo que em putos brincava-mos “Infinitos!Infinitos mais 1…”.

Bem hoje vou dizer uma coisa um bocado estranha:

 

Não existem provas de que realmente o infinito exista.

 

Isto veio-me à cabeça de repente, pelo que me pus a reflectir na veracidade desta afirmação. Pensei para mim:”Bem, isto pode realmente ser verdade. Então, por muito bom que um computador seja, se lhe pedirem para que conte o infinito, ele parará em algum ponto, por falha de energia, por encravar, por outra qualquer razão. De uma coisa tenho a certeza, ele parará”.

Pondo isto, penso que posso dizer que nunca ninguém poderá afirmar que o infinito existe, pois nunca poderá prova-lo. E, como tudo o que é um facto, tudo o que se sabe que existe, está provado, e o que não está provado é uma questão em aberto, o infinito é uma questão em aberto, digo eu.

 

E agora vem a implicação como profs: se a Matemática, a Física ou a Química são suposto serem disciplinas em que os dados são bem definidos, em que tudo está provado e em que tudo bate certo, como poderemos incluir o infinito nas suas contas ou teorias, sendo este uma questão em aberto?

 

A meu ver, o infinito simplesmente não existe…penso que é irreal pensarmos que o Universo é infinito, que não tem um fim nem um limite. Penso que o oção de infinito é uma coisa utópica, apenas imaginável, ou talvez em isso. Penso que é impossível aplicar-mos a noção de infinito a qualquer coisa pois, para além de não conseguir-mos prova-lo, penso que nada possa ser infinito.

É que, se pensarmos bem, infinito é muito…

 

Provavelmente, infinito é a incapacidade humana de definir limites a algo.

 

E se, o facto de não conseguirmos prova-lo for uma prova da sua existência?

Dêm a vossa opinião, este blog é não só meu, mas vosso também!

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Passado algum tempo de ter lido este post, achei que deveria reformular o que defendi. Sendo assim, veio-me à ideia de que possivelmente tudo o que nós consideramos infinito é fruto precisamente da nossa cabeça, racional ou irracionalmente. Ou seja, o que digo é que no Universo, tudo tem um princípio e um fim, e nada escapa a esta regra.

Por exemplo, os números. Foram uma invenção nossa para organizar coisas, para chegar a conhecimentos mais complexos e para perceber melhor este mundo. Mas o facto é que eles não vinham escritos no “livro de instruções” do Universo, não estavam cá antes de nós chegarmos. Dado que não encontrei maneira de contornar o facto de que não acabam, conclui que apenas na nossa percepção do mundo existem coisas infinitas, não tendo o universo nada sem limites (tirando talvez a estupidez humana xD).

Espero ter sido esclarecedor e que apreciem.

 

By... PalavraPuxaPalavra às 22:12
I am...: Infinitamente pensativo, e ala

(para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais)

 

Vamos lá a ver se concordam comigo:

 

2+2=4 está errado

5x3=15 está errado

n+z=y está errado

 

Vou especificar esta minha esquisitice.

Basicamente defendo que o símbolo “=” está mal empregue. Afirmo isto porque penso que quando se utiliza este símbolo deve ter-se em conta o seu real significado, o seu valor inerente, intrínseco. Quando se diz que certa coisa é igual a outra, é porque é realmente igual. Isto dá origem a algumas dores de cabeça, pois nada no universo tem uma cópia exactamente idêntica a si. Mas isso é outra história, que espero desenvolver mais tarde.

           

            Bem eu penso que tenho razão quando digo que 2+2=4 está errado. O que poderá estar certo será 4=4. Ou seja, penso que não faz sentido dizer que uma certa expressão é igual a um certo número. É claro que se simplificarmos a expressão dará origem a um algarismo igual ao 4, sendo por isso equivalente. Uma expressão é igual a outra mesma expressão e um numero é igual a outro mesmo numero. Isto é, eu posso, com legitimidade, dizer que “4” é igual a ”4”,  e que “2+2” é igual a ”2+2”, mas não que “2+2” é igual a “4”. E porque não? Aqui à que definir significados: uma coisa é ser igual, outra é ser equivalente. Penso que são duas coisas muito diferentes, ainda que à primeira vista a diferença seja pouco óbvia.

 

 O dicionário descreve igual(=) do seguinte modo: “que tem a mesma grandeza, valor, forma, aspecto ou qualidade que outro”; e equivalente(ó) assim: “de igual valor”. É claro que se simplificarmos a expressão “2+2”, esta dará origem a um algarismo igual ao 4, sendo por isso equivalente. Tal como se observa pelo dicionário, para que duas coisas ganhem o estatuto de iguais têm que satisfazer muitos mais parâmetros do que o de equivalentes. A expressão 2+2 tem o mesmo valor que 4, sendo por isso equivalentes. Mas, apenas observando, reparamos em diferenças como que a primeira é composta por três caracteres e o segundo apenas por um…ou então, a primeira tem a denominação de expressão e o segundo a denominação de algarismo. Por isso, penso que não são iguais, não são a mesma coisa. Por isso, penso que não é, de todo, possível dizer que 2+2=4 mas sim 2+2ó4.

 


19
Fev 08

Imagina o mar

Afogado no luar,

O azul celeste

No céu rupestre

Contra o negro manto

De tristeza e encanto.

 

Espelho polido

Por vezes esquecido

Reflecte vidas revoltas

Em mortes tão soltas

Por vezes largadas,

Por vezes tomadas.

 

Brisa que resfria

O ar que se queria

Gravada tem nela

O pranto de quem apela

Misericórdia pura

Por terra segura.

 

Neblina atroz

Sobre águas tão sós

Dirige memórias passadas,

Almas mal tratadas

Algures num navio

Que nunca ninguém viu.

 

O preto profundo

Preenche o mundo,

Afoga segredos

E esconde enredos

Alguns desvendados

Outros nem imaginados

 

Consegues visionar?

Que sorte a tua:

Feliz fica o mar

Deitado à lua…

 

Estás a imaginar??

Então continua…


08
Fev 08

O vento sussurrou-me palavras ocas

As quais não consegui ouvir

A maré trouxe-me ideias soltas

Aquelas que não pude capturar…

Será que sou eu que não posso lá chegar?

Ou elas que não me conseguem alcançar?

 

A terra tremeu e gritou, num gemido seco,

Que estava num caminho errado…

O fogo aconselhou-me e contou-me os seus segredos

Talvez por ser eu que não te ouvi,

Ou tu que não me escutaste

E foi assim a nossa história que um dia encerraste.

 

Eu puxo a razão,

A minha mente a ilusão…

Desdobram-se os pensamentos secos e usados

Lembrando todos os momentos passados

Talvez um dia, pensando em tudo da vida

Me consiga achar na minha verdade

Tão querida.

 

O que posso eu fazer,

Como te posso eu tratar?

Porque tem que ser difícil,

Porque tem de assim acabar?

 

Talvez não me queiras, talvez me descartes,

Talvez desfazeres-me seja mais uma das tuas artes.

 

Rir e chorar,

Perder e amar…

Porque é que a tua alegria

Me é tão vazia?

 

Não sei que pensar,

Nem mesmo como agir,

Face a um dilema,

Quero apenas fugir.

Tudo o que é feliz está a murchar

E tudo o que existe está a suprimir

 

Se ao menos me compreendesses

E me deixasses entrar em ti, 

Quero ajudar, quero partir

 

Se ao menos me compreendesses…

 

By... PalavraPuxaPalavra às 15:40
I am...:

20
Jan 08
Nuno Júdice
Em que pensar, agora, senão em ti?
Tu, que me esvaziaste de coisas incertas,
E trouxeste a manhã da minha noite.
 
 
É verdade que te podia dizer
“Como é mais fácil deixar que as coisas não mudem,
Sermos o que sempre fomos,
Mudarmos apenas dentro de nós próprios?”
 
 
Mas ensinaste-me a sermos dois;
E a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.
 
 
Mas é isto o amor, ver-te mesmo quando te não vejo,
Ouvir a tua voz que abre as fontes de todos os rios,
Mesmo ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.  
 
 
Como gosto, meu amor,
De chegar antes de ti para te ver chegar:
Com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa.
 
 
Tu: a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,
Como gostas de mim,
Até ao fim do mundo que me deste.

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