...o meu "sketchbook"... o meu bloco de notas... o meu eu...

06
Out 09

No  início, não havia nada. 

      Depois, surgiram dois homens das cavernas que vendiam ovelhas: apresento-vos o Trog Lódita e o Preisto Rico. 

  

 

     Toda a sua convivência era pacífica e fraterna: cada um vendia um tipo de ovelhas que tinham diferentes qualidades das do outro vendedor e assim cada comprador escolhia a que mais lhe convinha, conforme as suas necessidades. Vendiam os belos animais lado a lado, sempre mantendo uma amizade reforçada pelo negócio que tinha crescido com o tempo. Toda a povoação os conhecia como homens honestos e recorria frequentemente ao seu negócio. Mas isso estava prestes a mudar…

 

     Certo dia apareceu uma cliente de idade, a D.ª Mácomoá Xcobras e, com um olhar malicioso, fez a seguinte questão:"-Então meus rapazes, poder-me-ão indicar qual do tipo de ovelhas o melhor?". E nisto, fez se um silêncio milenar. Ambos matutavam com os seus dois neurónios a carvão, para encontrarem resposta a tão difícil questão. Neste impasse, e enquanto a idosa regozijava com os seus botões o sucesso da dúvida que lhes lançara, ele olharam um para o outro, olhos nos olhos, cerraram os dentes, e no mesmo compasso disseram: "A minha ovelha é a melhor!". Incrédulos com a hostilidade instalada, começaram a disparar: "Veja, D.ª Mácomoá, a qualidade da lã que a minha ovelha produz!", dizia Trog, enquanto que Preisto atropelava: "Cara Xcobras, espere até provar a carne tenra e suculenta da minha ovelhita!". Entre isto, deixando os dois homens a discutir, a senhora sai sorrateira.

 

     No dia seguinte, Trog, traz as suas ovelhas muito bem tratas, com uma lã penteada, lustrosa e sedosa. Gritava em plenos pulmões que se as suas ovelhas eram de linhagens que cruzavam desde bichos-da-seda a crocodilos, e que as suas peles eram o supra-sumo das peles no planeta. Olhando de esgueira o seu adversário, Preisto massajava um dos seus exemplares, pregando aos quatro ventos que o seu gado era alvo de mordomias dignas de príncipes, para que no prato servisse os reis. A população aproximava-se e ouvia os dois homens possuídos a dispararem as frases apelativas.

 

     O tempo foi passando, e as tácticas de venda evoluindo. O contrário não se verificava com as mentalidades da povoação, que regrediam e sujeitavam-se ao jogo dos vendedores: o que convencia mais, vendia mais. Foram tornando o negócio numa batalha: enquanto que Trog acendia tochas com seu nome, Presto punha ovelhas a fazer o pino e outras proezas nunca antes vistas; Trog dava pequenas amostras de lã à porta do estábulo e Presto entregava pedras com inscrições de um lema que ficava na cabeça dos inocentes homens ancestrais. Presto chegou certa vez a oferecer 1 na compra de 2 cabeças de gado, mas Trog não lhe ficou atrás e oferecia um conjunto de instrumentos de tratamento de pêlo para cada animal adquirido. Chegaram ao ponto de enumerarem caracteristicas que os pobres mamiferos não possuiam, vejam lá!!!

 

     Num ímpeto de desespero, Trog subiu a um penedo, adoptou uma postura de confiaça e começou a cantar "Sei que estou sozinho, contei uma piada e ninguém…"….

 

Desde então, a vida não mais voltou ao mesmo...

By... PalavraPuxaPalavra às 21:22
I am...: crítico, cansado
para ler ouvindo: tudo menos a publicidade da Trinaranjus!!

04
Out 09

Onde já ouvi isto???

 

Faz parte do conformismo quotidiano dar valor às coisas ditas normais: pessoas, objectos, pensamentos, acções, feitios...coisas. Vivemos num mundo em que ter (+) dois dedos de testa pode significar "inquisição" ou a good old marginalização. Alias, decerto que já sentiste que, daquela vez que te quiseste destacar dos demais e ser um pouco mais, melhor, para ti ou para os outros, sentiste logo aquela comichãozita subtil dos olhares de soslaio e do cochicho sempre oportuno. Quanto a isso, podem defender que todos somos humanos, raça superior que é competitiva por natureza e que vivemos numa sociedade onde o mais forte predomina. Respondo eu: talvez não o mais forte, mas o que pisa mais, morde mais, esmaga mais, acotovela mais, pontapeia mais, mente mais e, para variar, o que tem mais cunhas. Estes, parece, são os Normais. Poucos são (e louvados sejam) os que sobem na vida a título próprio, e chegam ao Everest com o próprio suor. Pity…

 

Chega da vertente 'crítica social '.

O que me levou hoje a escrever foi o titulo do post.

 

 

 

"És normal"

Muitas vezes levado como um elogio, outras tantas como defeito. O Zé Povinho serve se da expressão como bengala de discurso, para classificar, categorizar, adjectivar, confortar, porque sim ou apenas porque é uma boa deixa para mudar de assunto: "é normal..".

Mas já alguém parou para pensar o que raio significa normal?

O que me dá graça é quando este adjectivo é aplicado a pessoas, gente humana.

 

Normal: (dic.) "Conforme à norma ou regra comum; habitual."

 

Qual é a norma ou regra comum? Eu não assinei nada à nascença, espera aí…

Mas nós somos, realmente, normais em quê?

Somos diferentes em basicamente tudo! Quer física quer psicologicamente. Não se pode comparar uma pessoa a um conjunto de outras e defini-la como normal! Tem sempre outro feitio, outras maneiras, outras ideias, outros tiques, outras perspectivas e opiniões. Normalidade é um conceito meio utópico, se me permites… É cuspido da boca para fora, como se fosse um papel de embrulho que envolve toda a gente: fica sempre bonitinho estar dentro. E se é certo que é muito encorajado nos dias de hoje, também é certo que nós temos a nossa quota-parte de culpa: queremos vestir igual, pensar igual, opinar igual, ver igual, ter igual, SER igual… Procuramos o dito "embrulho", sem percebermos que cada um de nós é uma prenda por si só. Somos diferentes, no way we can change that…too bad…

 

Por isso, defendo que nós devemos evidenciar as nossa diferenças e sentirmo-nos orgulhosos delas, porque somos únicos. Se não as tivessemos, seriamos todos uma produção em série sem interesse. Vê-se regularmente na TV o resultado da repressão das nossas pequenas excentricidades e singularidades: homicidios, suicidios, consumo de drogas, alcool... Não deveríamos andar tão preocupados em seguir nos carris das modas, mas de vez em quando deitar a cabeça fora da carruagem e gritar bem alto por algo que queremos. A normalidade não existe, cada um é uma diferença por si só. E devíamos andar mais preocupados em aceitar as diferenças (nossas e dos outros) do que a procurar a nossa (falsa, mas conformista) normalidade.

 

Penso que é justo afirmar que somos diferentes, na nossa normalidade…

 

Também há muito o medo de pensar por si próprio, virar um bocadinho o traseiro á Mãe Sociedade e pensar por cabeça própria. Espírito crítico, inteligência, sabes? Qualquer empreendimento ou aventura que façamos para "receber daquilo que aumenta o coração" (Mafalda Veiga, Restolho) fora do "normal" é visto como afronta, principalmente por aqueles que não têm a coragem para o fazer: "Ai, olhem para nós: estamos tão bem aqui no embrulhinho e aquele carapau de corrida vai-se aventurar a conhecer a mesa de jantar do bacalhau da consoada…tss!". A sério que estas nossas pequenas revoluções e "sedes de mais" provocam sempre maus estar, comichão e dores de cabeça a outrem…too bad…

By... PalavraPuxaPalavra às 17:47
I am...: normalmente alegre
para ler ouvindo: R.E.M. - Mad World

08
Mar 09

Dia 8 de Março…Dia da Mulher.

Até ai, toda a gente chega. 
Mas porque é que raio quase ninguém se tenta informar sobre o que é este dia, ou significa em termos históricos…
Vou tentar hoje desmistificar o nevoeiro que se formou à volta de um dia com tão grande importância.
 
Factos históricos:
Por volta do século XIX, a par da rápida industrialização que se verificou no mundo ocidental, grupos de mulheres que trabalhavam sem condições dignas de um ser humano começaram a levantar as suas vozes. Muitas manifestações e greves relacionadas com os direitos das mulheres aconteceram de facto dia 8 de Março ao longo de dois séculos, sendo que a instauração oficial da data deste dia comemorativo apenas ocorreu em 1975 com o patrocínio da ONU.
 
Porém, o acontecimento chave do dia da mulher foi o incêndio em New York, na fábrica Triangle Shirtwaist, a 25 de Março de 1911. Esta situava-se nos últimos três andares de um edifício de dez. Aqui as trabalhadoras eram cerca de 600, a maioria constituída por mulheres jovens e imigrantes que trabalhavam 14 horas por dia, em semanas de trabalho de 60 a 72 horas, costurando vestuário por salários de 6 a 10 dólares por semana.
 
As condições da fábrica eram as típicas da altura: têxteis inflamáveis armazenados negligentemente, a iluminação era feita à base de gás, não existiam extintores nem outros métodos de prevenção e fumar era frequente.
Durante a tarde desse dia ocorreu um incêndio nos pisos abaixo. Os operários do décimo e oitavo andares foram notificados e a maioria salvou-se. No entanto, o alerta para o nono andar (onde se situavam maioritariamente as mulheres) tardou a chegar.
 
O nono andar apenas dispunha de duas saídas, uma escadaria e uma outra porta. A primeira já se encontrava cheia de fumo e de chamas quando as operárias se deram conta que o edifício estava a arder. A segunda porta estava fechada para evitar que as operárias roubassem materiais ou fizessem pausas. A única saída de emergência exterior depressa se arruinaria pelo peso de todas as operárias que tentavam escapar. O elevador também avariou, eliminando essa possibilidade de fuga.
 
Apercebendo-se que estavam sem saída, e devido ao calor intenso, algumas trabalhadoras lançaram-se das janelas (do nono andar). Outras forçaram as portas do elevador, lançando-se pela conduta de ascensão. Poucas sobreviveram a estas quedas. As restantes esperaram até que o fogo as consumisse. Os bombeiros chegaram rápido, porém, não havia escadas disponíveis para os transportar além do sexto andar. Um único sobrevivente foi encontrado, estando próximo do afogamento, perto da conduta de ascensão. O total de mortos foi de 146, ou seja, 91 no incêndio e 54 nas quedas.
 
Nos (tristes) dias de hoje:
Hoje em dia assiste-se a uma contradição espantosa: neste dia, após anos a reivindicarem os seus direitos de igualdade perante o sexo masculino, a defender a integração e aceitação da Mulher em toda a sociedade, muitas mulheres resolvem juntar-se em grupos restritos de amigas, isolarem-se num bar de strip ou numa ladys night…
Ora então deixa lá ver...querem ser integradas e isolam-se? Querem sentir-se iguais aos homens, mas no dia em que comemoram a luta, restringem-se a mulheres?
 
Enfim, a grande culpada disto tudo é, claro está, a sociedade: organizam-se estas festas, estas demonstrações de feminismo a torto e a direito, exigência de prendas, etc…Para mim o Dia da Mulher é para as mulheres festejarem com os maridos, filhos e amigos, para relembrar as gerações que lutaram por um mundo melhor, as responsáveis por hoje estarem neste estado de quase igualdade aos homens.
  
Para finalizar, deixo uma nota para as pessoas mais radicais: é claro que as mulheres não podem usufruir de todos os direitos dos homens, nem nunca vão conseguir estar em plena igualdade com o sexo oposto. O oposto é válido. E porquê? Porque a Natureza nos fez assim, diferentes (e ainda bem). Por isso, antes de um dos sexos reivindicar seja o que for, tenha em atenção primeiro a si próprio, e só depois ao outro.
 
e pra rematar,
FELIZ DIA DA MULHER
By... PalavraPuxaPalavra às 21:23
I am...: Um bocado aborrecido
para ler ouvindo: A Woman's Worth - Alicia Keys

08
Jan 09

(para quem pensa de menos, para quem quer pensar mais)

 

 

Pois é o seguinte. Immanuel Kant foi um grande filósofo proveniente da Alemanha. Segundo a sua teoria sobre a moralidade das acções, uma das mais aceites e respeitadas na comunidade filosófica, existem três tipos destas. E passo a exemplificar:

 

O Zé ia passeando e viu que uma velhinha deixou cair a sua carteira que, por acaso, aparentava estar bem recheada monetariamente. Então ele pensou nas seguintes hipóteses: 

a)      Ficar com a carteira;

b)      Devolver a carteira, visto que provavelmente seria recompensado;

c)      Devolver a carteira, simplesmente porque é boa educação.

 

A acção a) é claramente imoral. O Zé ficou com a carteira porque era seu interesse, porque quis ficar com todo o dinheiro. Quanto à acção b), o senso comum diria que foi hipócrita ou interesseiro, dado que o Zé devolveu a carteira por interesse, para ficar bem visto e para tentar receber uma recompensa. De facto, o princípio da decisão na hipótese b) foi o mesmo que na a), o interesse. E pôr o interesse acima de tudo, como base de acções, é imoral. Assim, só a acção c) é moralmente correcta, já que o Zé ultrapassou os seus interesses e agiu de forma correcta, só porque era moralmente certo.

Portanto, a) é uma acção contra o dever (imoral), a b) é uma acção em conformidade com o dever (imoral) e a c) é uma acção por dever (moral).

 

Bem, então isto é o que Kant diz. Assim, podemos dar valor a pessoas como Madre Teresa de Calcutá, o Papa, missionários ou voluntários; Por sua vez, podemos reprovar acções de ladrões, pessoas desonestas e interesseiras.

Pois bem, eu resolvi dar a minha opinião acerca deste assunto. Então, se virmos bem, porque é que uma pessoa faz acções boas, ou acções por dever? Não será para se sentir bem consigo própria, ou até mesmo para esperar algum tipo de recompensa, como por exemplo divina?

Sendo assim, qualquer acção é por interesse. Penso que, segundo este ponto de vista, as boas-acções Madre Teresa de Calcutá para com pobres ou carenciados terão sido baseadas na ideia de que um dia poderá ser recompensada pelo bem que faz aos outros, ou fê-las para se sentir bem consigo própria, não tanto pelo gesto em si. Assim, também o nosso Zé poderá ter devolvido a carteira para se sentir bem ou pensando que com essa boa acção poderia ganhar algo mais tarde

 

Não tenciono de forma alguma denegrir a imagem da senhora (tenha-a Deus em boa conta), estou apenas a criticar a teoria de Kant. Por isso existem outras teorias com outros pontos de vista…E o post já vai longo, por isso vou me calar…Opinem…

 

By... PalavraPuxaPalavra às 21:07
I am...: Com o dever de falar

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